Cometa erros: tente entender alguém pelo que faz em redes sociais virtuais
De acordo com uma matéria estúpida do Jornal da Globo sobre complementariedade do processo seletivo para vagas de emprego, nas redes sociais você precisa viver mais uma grande e virtuosa personagem: se furte das humanidades e modere-se. Prime pela perfeição. Quanto mais idealizado for seu perfil, melhor. Se for espontâneo, que esta espontaneidade seja imaculada; pura.
Para mim, como em qualquer outro lugar, compartilhar palavrões e vídeos estúpidos, tanto quanto falar sobre inteligência artificial para interpretação de derivativos só depende do contexto. Se furtar disto é esconder quem você é.
Matérias como esta só alimentam a hipocrisia.
Todos falamos palavrões, sentimos indisposições, e vez ou outra, falta vontade de não estar em um trabalho que não nos enxerga como pessoas falíveis. E escrever sobre isso nas redes socias pode, em grande medida, refletir apenas um estado de ânimo, momentâneo, não nossa complexa personalidade, ou potencialidades.
Qualquer uma das personas junguianas que façamos uso será apenas uma persona, e para entendê-la é preciso debruçar-se sobre a apreciação. É mesmo fácil assim traçar perfis profissionais sem uma vivência virtual com esta pessoa? Raso pensar que é possível de fato entender alguém pelo que este faz em uma ou duas redes sociais, sem acompanhá-lo de fato.
Enquanto cientistas sociais, psicólogos e antropólogos pensam como desenvolver o ramo da etnografia virtual, me aparece uma psicóloga dizendo: "tenha cuidado com o que diz nas redes socias pois não pode ser apagado".
Ao invés disto, porque não dizer: "cuide do que você é, ou quer ser, pois isto reflete em suas manifestações nas redes sociais (tanto quanto em outras vias de comunicação). E estas manifestações precisam ser espontâneas. Cuidando de si, estando atento a você mesmo, vai conseguir mostrar bem quem você é, quem você quer ser, ou quem você pode ser".
Jornalismo raso, psicologia organizacional de quinta, imaturidade no uso das redes sociais virtuais, contratantes desorientadas.
